Promoção!

OS POEMAS

20.19  18.17 


Joaquim Manuel Magalhães, Nikos Pratsinis
9789727088454
2005
490
13,8 x 21 cms
Capa Mole
572 gr

Em 1964, li os quatro livros sobre Alexandria de Durrell e conheci João Miguel Fernandes Jorge. Um amigo inglês tornado comum emprestou-nos uma velha edição que trazia, quase quebrada, de Pharos and Pharillon de Forster, onde li pela segunda vez Cavafy. Mas só com uma certa extensão o reencontrei, em 1966, numa antologia da Penguin, onde vinha com três poetas gregos — um dos quais Seferis, que li aí pela primeira vez. Lembro-me de ter posto imediatamente em português todos esses poemas do de Alexandria para o João Miguel. Traduções do inglês, onde Kavafis teimava ainda em ser Cavafy e onde o tradutor do tradutor se afastava irremediavelmente do grego original.
Entretanto viram-se as gravuras de Hockney para alguns dos poemas. Entretanto foram publicadas as traduções de Jorge de Sena na Inova, só mais tarde entendidas como duvidosas. Entretanto eu rasguei toda a papelada de ambos entre mim e o João, na altura em que me confrontei com o mexer no montão das cartas e de outros papéis que sobravam do Ruy Belo, descobertas traumáticas de que nunca falarei.
Na segunda metade dos anos 80, encontrei Nikos Pratsinis num curso da faculdade. O Petrarca deste século (para tantos poetas de tantas línguas) poderia passar a conhecê-lo tal como era, uma vez que não podia desde sempre confrontar-me sozinho com o texto original. Em 1988 publicámos vinte e cinco poemas. Agora, depois de Poemas e Prosas em 1994, temos toda a poesia que Kavafis (com Eliot, para mim, o maior poeta da primeira metade do século XX) quis considerar inteiramente como a sua — exemplos de alguns poemas que ele deliberadamente afastou podem encontrar-se, todavia, espalhados pelo Prefácio e pelas Notas.
J. M. M.

Quando conheci Joaquim Manuel Magalhães num curso para estrangeiros na Universidade de Lisboa e ele me propôs traduzir alguns poemas de Kavafis fiquei francamente admirado: a poesia kavafiana ou devia existir em português — em tradução perfeita ou nalgum «homólogo nativo» — ou não poderia nunca «morar» numa língua que não fosse a sua língua materna grega. Note-se que, para os gregos, Kavafis se tornou um produto espontâneo da linguagem poética, causa das inúmeras citações de versos dele — quais lugares-comuns de hoje em dia.
O nosso trabalho para a primeira edição foi para mim uma surpresa: por ser prazer, por ser divertido — quando descobríamos a «taxa de lirismo acrescentado» imposta por outros tradutores para outras línguas —, por descobrirmos o labor do poeta através do nosso.
A tradução, como toda a tradução, não pode ser perfeita. Se o leitor achar os poemas belos isto é uma prova da generosidade do original e da nossa receptividade laboriosa.
Eu fiquei com o prazer de reencontrar Kavafis fora da sua pátria e da sua língua.
N. P.


Em 1964, li os quatro livros sobre Alexandria de Durrell e conheci João Miguel Fernandes Jorge. Um amigo inglês tornado comum emprestou-nos uma velha edição que trazia, quase quebrada, de Pharos and Pharillon de Forster, onde li pela segunda vez Cavafy. Mas só com uma certa extensão o reencontrei, em 1966, numa antologia da Penguin, onde vinha com três poetas gregos — um dos quais Seferis, que li aí pela primeira vez. Lembro-me de ter posto imediatamente em português todos esses poemas do de Alexandria para o João Miguel. Traduções do inglês, onde Kavafis teimava ainda em ser Cavafy e onde o tradutor do tradutor se afastava irremediavelmente do grego original.
Entretanto viram-se as gravuras de Hockney para alguns dos poemas. Entretanto foram publicadas as traduções de Jorge de Sena na Inova, só mais tarde entendidas como duvidosas. Entretanto eu rasguei toda a papelada de ambos entre mim e o João, na altura em que me confrontei com o mexer no montão das cartas e de outros papéis que sobravam do Ruy Belo, descobertas traumáticas de que nunca falarei.
Na segunda metade dos anos 80, encontrei Nikos Pratsinis num curso da faculdade. O Petrarca deste século (para tantos poetas de tantas línguas) poderia passar a conhecê-lo tal como era, uma vez que não podia desde sempre confrontar-me sozinho com o texto original. Em 1988 publicámos vinte e cinco poemas. Agora, depois de Poemas e Prosas em 1994, temos toda a poesia que Kavafis (com Eliot, para mim, o maior poeta da primeira metade do século XX) quis considerar inteiramente como a sua — exemplos de alguns poemas que ele deliberadamente afastou podem encontrar-se, todavia, espalhados pelo Prefácio e pelas Notas.
J. M. M.

Quando conheci Joaquim Manuel Magalhães num curso para estrangeiros na Universidade de Lisboa e ele me propôs traduzir alguns poemas de Kavafis fiquei francamente admirado: a poesia kavafiana ou devia existir em português — em tradução perfeita ou nalgum «homólogo nativo» — ou não poderia nunca «morar» numa língua que não fosse a sua língua materna grega. Note-se que, para os gregos, Kavafis se tornou um produto espontâneo da linguagem poética, causa das inúmeras citações de versos dele — quais lugares-comuns de hoje em dia.
O nosso trabalho para a primeira edição foi para mim uma surpresa: por ser prazer, por ser divertido — quando descobríamos a «taxa de lirismo acrescentado» imposta por outros tradutores para outras línguas —, por descobrirmos o labor do poeta através do nosso.
A tradução, como toda a tradução, não pode ser perfeita. Se o leitor achar os poemas belos isto é uma prova da generosidade do original e da nossa receptividade laboriosa.
Eu fiquei com o prazer de reencontrar Kavafis fora da sua pátria e da sua língua.
N. P.

REF: 1717111 Categoria: