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História do Desenvolvimento das Funções Psíquicas Superiores

24.00  21.60 


João Pedro Fróis
9789896419639
11/2021
412
15,3 x 23,3 x 2,7 cms
Capa Mole
617 gr

TRADUÇÃO E PREFÁCIO DE JOÃO PEDRO FRÓIS

«Escrito por volta de 1930, este livro é a descrição mais completa da visão de L. S. Vygotsky sobre o desenvolvimento da mente humana. Usando muitos exemplos, Vygotsky argumentou que a mente humana é fundamentalmente diferente na medida em que é baseada na cultura e na história. Não há dúvida, por exemplo, de que outros animais também têm memória, mas Vygotsky defendeu que a memória humana é diferente, dado que se apoia na linguagem e nas ferramentas culturais que os humanos desenvolveram no passado. Os humanos, ao contrário de outros animais, para fortalecer a sua memória usam estratégias de memorização (por exemplo, formar associações, experimentar, construir uma história). Tais estratégias e ferramentas, fundadas na linguagem, possibilitam despertar memórias do passado, que superam em quantidade e qualidade as utilizadas por outros animais. A riqueza de tais exemplos faz deste livro e do seu tema principal uma leitura valiosa. É uma obra sobre as características únicas da mente humana que se mantém atual, estudo clássico da psicologia do nosso tempo.» [René van der Veer, Universidade de Leiden]

SOBRE O AUTOR:
Lev Semenovich Vygotsky nasceu no seio de uma família judia, a 17 de novembro de 1896, na cidade de Orsha, nas proximidades de Vitebsk, na Bielorrússia. No ano seguinte a família instalou-se na cidade de Gomel. O pai dirigia o departamento de um banco, a mãe, Cecília Moiseevna, cuidava dos oito filhos. Apesar das discriminações que atingiam os judeus na Rússia czarista, a família tinha uma intensa vida intelectual. Vygotsky aprendeu alemão com a mãe, teve um precetor socrático e foi no liceu um excelente aluno de Matemática, Latim e Grego (lia também em hebraico, francês e inglês). Interessou-se igualmente pelo teatro. Em 1914 foi admitido na Universidade de Moscovo, em Medicina e depois em Direito. Frequentou ao mesmo tempo a Universidade Popular Shaniavsky, onde estudou História, Psicologia, Filosofia e Literatura. Aos 19 anos escreveu um ensaio sobre Hamlet. Dois anos depois, formava-se em Direito. A Revolução de Outubro permitiu-lhe ensinar Língua e Literatura Russa, dar cursos de Psicologia e Lógica no Instituto Pedagógico e de Estética e História da Arte no Conservatório. É nesse período que lê Espinosa e Hegel, Marx, Freud, Pavlov e o linguista Potebnia. Em 1924 reuniu-se em Leninegrado o 2.º Congresso Pan-Russo de Psiconeurologia, em que Vygotsky apresenta um relatório sobre o «método de investigação reflexológica e psicológica». Produziu tal impressão em Alexander Luria que é convidado a participar na reconstrução do Instituto de Psicologia da Universidade de Moscovo (dirigido por K. Kornilov e tendo Luria como secretário científico).
É um ano de viragem na sua vida. Casa-se com Rosa N. Smejova, de quem terá dois filhos, e fixa-se em Moscovo, consagrando-se inteiramente à psicologia. No Instituto estabelece uma estreita cooperação, não isenta de divergências, com Leontiev e Luria. Em 1925 cria um laboratório de psicologia para a infância anormal, visita a Inglaterra, Alemanha, Holanda e França. No regresso é hospitalizado devido a uma recaída da tuberculose. Nos anos seguintes vai escrever, durante períodos de hospitalização, Psicologia da Arte e O Significado Histórico da Crise na Psicologia. Em 1930 dirige em Moscovo um seminário com Eisenstein, Luria e o linguista Marr. É nessa época que começam a surgir algumas críticas à sua teoria histórico-cultural do psiquismo. É a necessidade de defender as suas ideias que o leva à elaboração de Pensamento e Linguagem, que se situa de maneira crítica perante os grandes psicólogos de então, Piaget, Stern, Köhler, Koffka e William James, ou seja, em relação às correntes estruturalista, gestaltista e funcionalista. Na primavera de 1934, Vygotsky é de novo hospitalizado. É já no leito da morte que dita a última parte desse livro, que será editado pouco depois do seu falecimento, ocorrido a 11 de junho, aos 37 anos. Deixou cerca de duas centenas de textos, a maior parte sobre psicologia ou investigação das incapacidades e deficiências visuais, auditivas e mentais. A perspetiva comum era a recusa dos vários reducionismos ou das abordagens compreensivas então em voga, e uma conceção do desenvolvimento psicológico como uma rede de funções complexas influenciadas pela cultura. Foi enterrado no cemitério de Novodiévitchi. A divulgação dos seus escritos, designadamente Pensamento e Linguagem, foi lenta. A partir de 1936, e até ao XX Congresso do PCUS (1956), a sua obra desapareceu de circulação na União Soviética. E é só nos anos 60 que começa a ser divulgada um pouco por todo o mundo, a partir dos Estados Unidos, Argentina, Japão e Itália.