Planeamento Editorial

Planeamento Editorial
Publicações na Relógio D’Água de Julho a Dezembro de 2019.
Esta é a lista não exaustiva dos títulos que a Relógio D’Água publicará nos próximos seis meses.

JULHO

1 — Histórias Falsas, de Gonçalo M. Tavares
Um ligeiro desvio do olhar em relação à vida conhecida de algumas personagens históricas.

2— Pessoas Normais, de Sally Rooney
Connell e Marianne cresceram na mesma pequena cidade da Irlanda, mas as semelhanças acabam aqui. Na escola, Connell é popular e bem-visto por todos, enquanto Marianne é uma solitária.
Pessoas Normais é uma história de fascínio, amizade e amor mútuos, que acompanha a vida de um jovem casal que tenta separar-se mas que acaba por entender que não o consegue fazer. Mostra-nos como é complicado mudar o que somos e o modo como aprendemos sobre sexo e poder, o desejo de magoar e ser magoado, de amar e ser amado.
O livro obteve o Prémio Costa 2018 para Melhor Romance (Rooney foi a autora mais nova a vencer este prémio, com apenas 27 anos), foi livro do ano pela Waterstones e finalista do Man Booker Prize 2018, do Women’s Prize for Fiction 2019 e do Dylan Thomas Prize 2019. O The Guardian considerou-o “o fenómeno literário da década” e “um futuro clássico”, e o The Times “melhor romance do ano”.

3 — A Balada do Medo, de Norberto Morais
O autor de O Pecado de Porto Negro retoma personagens que parecem saídas do que de melhor produziu a literatura de uma América Latina aqui reinventada.

4 — Agnes Grey, de Anne Brontë
Agnes Grey é baseado na experiência da autora. O romance pretende responder, através da história de uma jovem mulher que se vê obrigada a trabalhar como preceptora, à pergunta: Qual o lugar da mulher na sociedade vitoriana?

5 — Pequenas Misérias da Vida Conjugal, de Honoré de Balzac
Balzac revela-se aqui um divertido observador da intimidade dos casais.
No essencial, apresenta-nos dois tipos humanos. De um lado, Adolphe, de desesperante aridez mental; do outro, Caroline, reduzida à dependência. Os dois jovens esposos vão percorrer o caminho que leva das promessas de felicidade às desilusões.

6 — Memórias, Sonhos, Reflexões, de Carl Gustav Jung
Trata-se de uma antologia de artigos e entrevistas do que depois de ter sido o mais talentoso discípulo de Freud elaborou uma das mais influentes teorias psiquiátricas do século xx.
O livro foi escrito quando, aos 81 anos, Jung decidiu contar a história da sua vida.

7 — Provocações — Ensaios Escolhidos, de Camille Paglia
O feminismo heterodoxo e combativo de Paglia continua a chocar os que mergulham na letargia do politicamente correcto. Mostra-se capaz de ter em conta os aspectos biológicos do ser humano, sem esquecer as dimensões sociais e culturais nem cair no conservadorismo.

8 — O Custo de Vida, de Deborah Levy
Neste livro, parte de uma trilogia, a autora percorre os caminhos da independência da mulher nos tempos de hoje.
A autora reflecte sobre o que é viver com significado e prazer, procurando a liberdade última, que é a de escrever a nossa própria vida, reflectindo ao mesmo tempo sobre a obra de artistas e pensadores como Simone de Beauvoir, James Baldwin, Elena Ferrante, Marguerite Duras, David Lynch e Emily Dickinson.
Deborah Levy recebeu este ano a terceira nomeação para o Man Booker Prize.

AGOSTO

1 — Casas de Vidro, de Louise Penny
Num frio dia de Novembro, uma misteriosa figura aparece na povoação de Three Pines, provocando incómodo, alarme e confusão entre quem a vê.
O Superintendente-Chefe Armand Gamache percebe que qualquer coisa está profundamente errada, mas só pode observar, esperando que os seus piores receios não se concretizem.
No entanto, quando a misteriosa figura desaparece e é descoberto um cadáver, Gamache tem de se lançar nas investigações.
O livro venceu o Agatha Award 2017 na categoria de Melhor Romance Contemporâneo.

2 — A Mesa dos Gatos-Pingados, de Michael Ondaatje
No começo dos anos 50, um rapaz de onze anos embarca com destino a Inglaterra. Durante as refeições, é sentado à “mesa dos gatos-pingados”, onde há adultos e outros dois rapazes. À medida que o navio atravessa os mares, os rapazes saltam de uma aventura para outra. Durante a noite, espiam um prisioneiro algemado. O crime que cometeu e o seu destino são um mistério que os atormentará para sempre.
O Wall Street Journal considera que a obra é “tão conseguida como a sua magnum opus, O Doente Inglês”.

SETEMBRO

1 — O Sermão do Fogo, de Agustina Bessa-Luís
Através de Amélia, uma vidente que é protagonista do romance, conhecemos uma série de personagens e destinos arrastados na sua órbita. Esta filha de camponeses, e criada de servir, vai conhecer um destino surpreendente.

2 — Correspondência entre Agustina Bessa-Luís e Juan Rodolfo Wilcock (Prefácio de Ernesto Montequin)
É uma correspondência (inédita) entre dois intelectuais com afinidades, que relatam as suas viagens e falam de literatura e das suas vidas.

3 — O Abismo de Fogo, de Mark Molesky
O historiador norte-americano de Harvard escreveu a principal obra sobre o terramoto de Lisboa de 1755, um verdadeiro “Apocalipse da Ciência e da Razão”.

4 — Tudo no Seu Lugar, de Oliver Sacks
Uma das obras póstumas do autor de O Homem Que Confundiu a Mulher com Um Chapéu, que nos fala dos seus primeiros amores e nos narra as suas últimas histórias.

5 — Correspondências + Minhas Queridas, de Clarice Lispector
Nas suas cartas, a autora entreabre o seu “coração selvagem” aos leitores.

6 — Pensar sem Corrimão (antologia), de Hannah Arendt
Estes ensaios abordam temas que vão desde “Karl Marx e a Tradição do Pensamento Político Ocidental” até “Transições”, passando pelo totalitarismo e a violência na sociedade americana.

7 — Superinteligência, de Nick Bostrom
O autor, investigador em Oxford, examina um problema essencial do nosso tempo, a possibilidade humana de controlar o avanço para a superinteligência antes de ser demasiado tarde.
O livro foi altamente recomendado por Bill Gates e Elon Musk, entre outros.

8 — Atlas do Corpo e da Imaginação, de Gonçalo M. Tavares
Este livro atravessa a literatura, as artes e o pensamento, tendo como temas a identidade, a tecnologia, a morte e as ligações amorosas, a racionalidade e a loucura, a alimentação e o desejo. Uma obra dirigida a todos os sentidos.

9 — Antologia, de João Miguel Fernandes Jorge
Joaquim Manuel Magalhães escolheu o que para si são os melhores poemas de João Miguel Fernandes Jorge.

10 — O Senhor Swedenborg e as Investigações, de Gonçalo M. Tavares
O Senhor Swedenborg realiza as suas investigações geométricas, enquanto escuta uma conferência do Senhor Eliot. Entre muitas outras coisas, apresenta um método para esquecer um acontecimento desagradável.

11 — Os Invisíveis, de Roy Jacobsen
Na primeira metade do século xx, a vida dos pescadores e camponeses daquela ilha não é fácil. Mas à família Barrøy não faltam recursos. O pai de Ingrid sonha com mais filhos, uma ilha maior, e um molhe que o ligue ao continente. A mãe pretende uma ilha mais pequena, mais filhos e uma vida diferente. Ingrid cresce entre o oceano e as tempestades, os pássaros e o amplo horizonte. Mas o ciclo das tarefas e dos dias vê-se interrompido pela súbita irrupção do mundo exterior.
Finalista do Man Booker International Prize 2017.

12 — A Rebelião das Massas, de José Ortega y Gasset
«O homem vulgar, antes dirigido, resolveu governar o mundo. Esta resolução de avançar para o primeiro plano social produziu-se nele automaticamente assim que amadureceu o novo tipo de homem que ele representa.»

OUTUBRO

1 — O Gesto Que Fazemos para Proteger a Cabeça, de Ana Margarida de Carvalho
Duas sociedades fechadas na raia alentejana, vivem à margem da lei, em tempos próximos da guerra civil espanhola, quando a guarda é mais temida do que qualquer gatuno e os cães mais cruéis do que os lobos. Ambas criam as suas próprias regras, se agridem e se oprimem, mas não se percebe nunca exatamente de onde e de quem vem a maior violência. É então que chega alguém com contas por ajustar.

2 — O Adolescente, de Fiodor Dostoievski
Um dos romances essenciais do autor de Crime e Castigo.

3 — Fotomaton — Retratos de Salazar, Cunhal e Soares, de António Barreto
António Barreto viveu politicamente os tempos de Salazar, Cunhal e Soares. Reúne agora retratos desses três políticos determinantes no século xx português.

4 — Ética, de Espinosa (trad. de Diogo Pires Aurélio)
Uma nova tradução da obra de um filósofo só comparável a Descartes e Kant.

5 — As Ilhas dos Pinheiros, de Marion Poschmann
Finalista do Man Booker International Prize 2019

6 — O Xaile Andaluz, de Elsa Morante
O Xaile Andaluz reúne catorze novelas sobre o mundo da infância e da adolescência. A história que deu título ao livro, “O Xaile Andaluz”, fala-nos de um rapaz dividido entre a adoração pelo universo adulto encarnado pela mãe e o medo da realidade.

7 — O Pecado de Porto Negro, de Norberto Morais
Uma obra finalista do Prémio Leya que recria, numa América Latina imaginária, um enredo, tecido das mais variadas personagens, revelando o carácter circular do destino e a capacidade que ele tem de nos desconcertar.

8 — Poemas e Canções (dois volumes), de Leonard Cohen
É uma ampla antologia dos poemas e canções de Leonard Cohen, feita com a participação do próprio autor. Exceptuando os seus romances e o póstumo A Chama, reúne praticamente toda a produção de Cohen. No seu conjunto é uma viagem através da criação literária e musical na sua relação com o amor e o desespero.

9 — Cartas de Prisão, de Rosa Luxemburgo
Durante o período da prisão, que antecedeu em pouco o seu assassínio, a revolucionária alemã de origem polaca, Rosa Luxemburgo, escreveu sobre aspectos comoventes da vida quotidiana.

10 — Nós e Outros Contos, Evguéni Zamiátin
Esta obra reúne a distopia Nós (traduzido pela primeira vez do russo), que influenciou 1984 de George Orwell, e vários contos que confirmam Zamiátin como um grande escritor russo.

11 — O Fantasma de Anil, de Michael Ondaatje

12 — Não Te Esqueças de Viver, de Pierre Hadot

13 — Sobre a Revolução, de Hannah Arendt
Hannah Arendt compara as revoluções americana e francesa de um modo que nos ajuda a compreender a actual evolução da Europa e dos EUA e as suas contradições.

14 — O Portal do Obelisco, 2.º Volume de A Terra Fraturada, de N. K. Jemisin
O 2.º volume da série, três vezes vencedora do Hugo Award.

NOVEMBRO

1 — Prazer e Glória, de Agustina Bessa-Luís

2 — A Muralha, de Agustina Bessa-Luís
Nenhum romance nos dá a cidade do Porto como esta obra de Agustina Bessa-Luís.

3 — Leopardo Negro, Lobo Vermelho, de Marlon James
Do autor de Breve História de Sete Assassinatos, o primeiro volume da “Trilogia da Estrela Negra”, uma fantástica cascata de narrativas que tomam lugar numa África antiga, perigosa e alucinatória.
Neil Gaiman considerou-o “um mundo de fantasia tão bem concretizado como qualquer obra de Tolkien”, o The New York Times “um mundo de fantasia africano nos tons de Bosch, García Márquez e Marvel” e o Washington Post escreveu: “Desvia-te do caminho, Beowulf… James está a abrir caminho para um novo reino”.
Os direitos de adaptação a televisão foram já adquiridos pela companhia de produção de Michael B. Jordan.

4 — Cidades, de Gonçalo M. Tavares
Contos que nos falam de cidades

5 — Os Velhos também Querem Viver, de Gonçalo M. Tavares

6 — Três Conferências, de Maria Filomena Molder

7 — O Olhar de Estrangeiros (de 1755 aos Nossos Dias), de Maria Filomena Mónica

8 — As Crónicas da Explosão, de Yan Lianke
Nomeado para o Man Booker International Prize 2017

9 — A Senhora Palfrey no Hotel Claremont, de Elizabeth Taylor
«Nomeado pelo The Guardian como um dos “100 melhores romances de sempre” e finalista do Man Booker Prize, A Senhora Palfrey no Hotel Claremont é uma visão irónica e compassiva da amizade entre uma mulher de idade e um jovem autor, escrita por uma romancista magnífica, o elo de ligação que faltava entre Jane Austen e John Updike.» [Independent]

10 — Cozinheiro Moderno, Ou Nova Arte de Cozinha, de Lucas Rigaud

11 — Ingmar Bergman: O Caminho contra o Vento (Romance Biográfico), de Cristina Carvalho

12 — A Guerra Civil (Farsália), de Lucano (tradução do latim coordenada por Luís Manuel Gaspar Cerqueira)

DEZEMBRO

1 — O Fim — A Minha Luta: 6, de Karl Ove Knausgård

2 — O Problema dos Três Corpos, de Cixin Liu
Vencedor do Hugo Award 2015 para Melhor Romance. Uma amostra da pujante ficção científica chinesa.

3 — Corpos Celestiais, de Jokha Alharti
Vencedor do Man Booker International Prize 2019.
Corpos Celestiais narra a vida de três irmãs na aldeia de al-Awafi, em Oman.
Mayya, que casa com Abdallah após um desgosto amoroso; Asma, casada por obrigação; e Khawla, que rejeita todas as propostas enquanto espera pelo seu amado, que emigrou para o Canada.
Estas três mulheres e as suas famílias testemunham o desenvolvimento de Oman, de uma sociedade tradicional e esclavagista, passando pela era pós-colonial até aos dias de hoje.
«Fascinante. Mostra-nos uma cultura muito pouco conhecida no Ocidente.» [The Guardian]

15 Responses to “Planeamento Editorial”

  1. Eduardo Roels 2 Agosto, 2019 at 16:40 Permalink

    Prezados, já consideraram publicar a tradução completa (existe uma tradução antiga e parcial do livro em português) de “Conversações com Goethe” de Johann Peter Eckermann? Nietzsche considerava este livro o melhor já escrito em alemão e Walter Benjamin um dos maiores livros de prosa de todo o século XIX.

  2. nuno de m. 3 Agosto, 2019 at 8:01 Permalink

    Viva, Está nas V. previsões a edição de Sangue Sábio, esgotado noutra editora, tal como as obras de Flannery O’Connor que a RdA entretanto publicou? E, se sim, quando?
    Atentamente, nuno de m

  3. Nuno Bento 5 Agosto, 2019 at 14:40 Permalink

    Boa tarde,

    Antes de mais, os meus parabéns pela vossas edições.

    Já consideraram a publicação dos Diários de Thomas Mann?

  4. Joaquim 7 Agosto, 2019 at 15:33 Permalink

    Boas,

    Sugiro a publicação de un livro há muito esgotado em português de Henri Lefebvre chamado “O Fim da História”. Aliás qualquer obra dele seria excelente.

  5. nuno de m. 8 Agosto, 2019 at 8:47 Permalink

    Viva, Tendo já publicados vários textos de norte-americanos do sul, prevêem-se outros auautores e títulos?

    1. Delta Wedding, Eudora Welty?
    2. James Dickey
    3. Roberto Penn Warren
    4. Zora Neale Hurston
    5. Walker Percy
    6. Charles W. Chesnutt

    E, já agora, mudando a geografia, Thornton Wilder e H. L. Mencken?

    Atentamente, nuno de m.

  6. nuno guerreiro 9 Agosto, 2019 at 13:50 Permalink

    Boa tarde.

    Já está prevista a edição do VIAGEM À ÍNDIA do Goçalo M. Tavares?

    Obrigado

  7. Gonçalo 12 Agosto, 2019 at 21:39 Permalink

    Muito boa noite!

    Gostaria de saber se se encontra planeado a publicação/lançamento do romance “Nossa Senhora de Paris” de Victor Hugo.

    Muito obrigado e cumprimentos

  8. Augusta Clara Matos 13 Agosto, 2019 at 0:28 Permalink

    Boa noite!
    Uma sugestão e um desejo muito empenhados de que reeditem a obra de Manuel Vásquez Montalbán, com livros tão bons que a ASA deixou caír e de que não se encontra agora nenhuma tradução portuguesa.
    Para as biografias sugiro a biografia de Trotsky por Isaac Deutscher, considerada a melhor biografia dele e de que não conheço nenhuma edição em português.
    E parabéns pelas belas capas que com tão bom gosto têm escolhido.
    Cumprimentos
    Augusta Clara Matos

  9. Rogério Barros Costa 19 Agosto, 2019 at 11:43 Permalink

    sou escritor já editado, dentro e fora de Portugal.
    Tenho 3 trabalhos para editar.
    gostaria de saber como contar convosco.

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